Buscando corrigir a rota da alimentação do filho ou como reintroduzir alimentos saudáveis na dieta do meu filho

Onde duas ou mais mães estiverem reunidas, sempre surgirá o assunto alimentação dos filhos!

É muito comum ouvir mães de crianças pequenas relatando que seus filhos não comem como elas gostariam. Aqui em casa não foi diferente…

Amamentei o Fe exclusivamente até os 6 meses, depois iniciei a introdução alimentar. Ele sempre foi aceitando muito bem os novos alimentos, comia frutas, papinha de legumes e carne. Por volta de um ano ele já estava integrado na dieta da família e ingeria uma dieta bem saudável e variada. Nunca gostou muito de carne, mas fora isso ia tudo bem. Durante o primeiro ano não comia nada com açúcar. Depois comecei a liberar eventualmente.

Com 1 ano e meio ele teve uma infecção intestinal bem grave. Passou 4 dias internado no hospital. Depois que voltou pra casa, mesmo com dieta constipante continuava uma diarréia muito forte. Depois de mais de uma semana assim consegui uma pediatra que foi nossa salvação. Restringiu a dieta dele a arroz, frango, maçã cozida e um leite especial (para crianças com APLV). Verificando os resultados dos exames dele, ela nos explicou que o intestino dele havia ficado muito ferido, por isso qualquer alimento um pouquinho mais difícil de digerir causava uma diarréia horrível. Pediu pra retirar soja, leite e glúten. Levamos 6 meses para conseguir eliminar as restrições e ele poder voltar a comer normalmente. Nessa fase qualquer alimento mais fibroso, legumes, frutas cruas, etc soltavam muito o intestino dele.

Só hoje entendo que esse período que aconteceu entre 1 ano e meio e os 2 anos dele, bagunçou totalmente a relação saudável e tranquila dele com os alimentos. Creio que essa fase contribuiu muito para que ele se tornasse muito restritivo e seletivo.
Quando pudemos voltar a dieta dele ao normal ele já não aceitava toda a variedade de frutas e legumes de antes. Alguns ele ainda aceitou até ter uns 3 anos. Eu também já não limitava como deveria o consumo de alguns alimentos como biscoito doce e iogurte adoçado. O tempo foi passando, ele rejeitando muitos alimentos e eu não sabia como melhorar a situação.

Passamos por uma fase bem puxada, eu terminando mestrado, grávida, depois mudança, chegada da bebê, sem empregada pra me ajudar… Puft! Resultado: a alimentação do Fe, que havia começado tão bem estava péssima. Suquinho de caixinha, biscoito doce, balinhas, iogurte, hambúrguer, refrigerante, lasanha congelada, salsicha e coisas que eram pra aparecer na exceção da exceção haviam entrado na rotina. Consumo de frutas: quase zero. Legumes: menor que zero.

Ainda bem que num determinado momento a ficha caiu!
Conforme fui conseguindo colocar a vida em ordem, me adaptando à nova cidade, nova casa, me acostumando a cuidar de dois filhos, eu comecei a perceber o quanto eu havia relaxado e como o Fe estava comendo mal!

Comida saudável nunca havia deixado de existir na nossa mesa. Mas as porcarias estavam tomando a cena. Oferecer não era o bastante. Foi então que tomei a decisão radical de cortar muitas coisas. Simplesmente parei de comprar os alimentos que citei acima. Mais nenhum potinho de iogurte, nenhum biscoito… Nada. Reforcei a fruteira e então se quisesse um snack, as opções seriam frutas. No começo alguns protestos, lógico, mas com o tempo ele começou a aceitar, comer uma maçã, uma banana… E começou a se acostumar com a nova alimentação. Eis que o consumo de frutas agora está ótimo! Umas 2 ou 3 porções por dia! E com ótima variedade: vai também manga, abacate, uva, laranja, pêra, mamão, melão, morango, melancia…
O consumo de legumes ainda não está ótimo, mas estamos no caminho. Ele passou meses rejeitando qualquer coisa verde, mesmo uma folhinha de salsinha era motivo para ele recusar o prato. Agora ele já está comendo bem tomate, cenoura, batata doce e mandioquinha. No meio do omelete está aceitando até abobrinha e brócolis! Essa semana ele comeu uma vagem verdinha cozida no vapor, inteirinha! Disse que estava “bem delícia”! Lágrimas rolaram dos meus olhos. Me emocionei de verdade!

Hoje não há nada proibido na dieta do Fe. Podemos passear no parque e tomar um sorvete no final. Ele pode comer o brigadeiro do aniversário do amiguinho. Comemos um docinho (bem “inho” mesmo) na hora da sobremesa. Compreendi que meu filhote tem um apetite de leão, que está sempre com fome e que eu precisaria mudar as opções dele. Consegui resolver a situação eliminando a opção da guloseima, assim simplesmente sobrou espaço para os alimentos saudáveis retomarem seu lugar. O lugar do qual nunca deveriam ter saído.

Se a introdução alimentar para um bebê pode parecer difícil, a reintrodução de uma alimentação saudável para uma criança de 4 anos é ainda mais desafiadora.
Mas estou aqui para testemunhar que ela é possível e viável!

Lendo minha própria história chego a ter vergonha de ter deixado as coisas tomarem o rumo que tomaram. Mas estou aqui, reconhecendo minha falha e mostrando como fui capaz de me redimir e reencontrar o caminho de uma boa alimentação.

Acho muito importante em toda a jornada materna a capacidade de parar, olhar, analisar e corrigir a rota quando for necessário. E nunca desistir de buscar o melhor para nós e nossos filhos.

E a alimentação do seu filho, como está? Já passou por fases ruins? Conseguiram reverter? Me conte um pouco da sua experiência!

Anúncios

Buscando a escola ideal

Daria pra resumir esse post em uma linha:

 

Busca inútil, a escola ideal não existe, esqueça!

 

Mas não, não é tão simples assim. Quando o assunto é escolher a escola para os nossos filhos não queremos nada menos do que o melhor possível.

 

Mas o melhor para quem? Para eles ou para nós? Já parou para pensar que podemos estar escolhendo a escola ou a não escola (caso dos adeptos do unscholling) para nós pais?!

 

Sim, isso é real e eu me peguei recentemente vivendo esse conflito, buscando uma escola que me agradasse e que atendesse minhas expectativas.

 

As decisões mais simples como custo e localização são obviamente escolhas dos pais e para os pais. Mas e quanto a pedagogia e o ambiente? Nessa hora é que temos que pensar muito em nossos filhos.

 

Quero contar aqui como trilhei meu caminho de dúvidas e buscas de respostas em relação à escola do meu filho, Fe de 4 anos.

 

Fe começou a frequentar escola por meio período quando ele tinha 1 ano e meio. Eu precisava de um tempo livre para me dedicar ao mestrado e escola era a única fonte de ajuda que eu dispunha na época. Visitei 10 escolas e escolhi a que se apresentou como mais acolhedora e que suprisse da melhor forma as necessidades de cuidados do meu então bebezão. Essa era a prioridade. O valor se equiparava a grande parte das outras e era acessível. A distância era um pouco longa, mas entendi que valia a pena. Nos anos seguintes optamos por morar mais perto da escola, eliminamos o desconforto da distância. A escola acompanhou bem as demandas do filhote e vice e versa. Ele brincava muito lá, era muito bem acolhido, se divertia e era feliz.

 

Até que uma mudança de cidade nos tirou desse certo conforto.

 

Nossa transição foi bastante rápida e turbulenta. Me vi obrigada a fazer a escolha da nova escola sem poder pesquisar e pensar muito. Liguei em muitas, ouvi algumas indicações e visitei apenas 3. Fechei na que mais me agradou.

 

As aulas começaram, a adaptação do Fe foi muito rápida, ele ia e voltava bem feliz da escola e por tanto vivi sem pensar na minha escolha repentina por alguns meses. Permaneci mergulhada na rotina da minha bebê recém chegada.

 

Acontece que aquilo que não foi bem pensado e bem escolhido um dia sai da sombra e começa a incomodar.

 

Somei algumas respostas negativas à típica pergunta “foi tudo bem hoje?” após uma manhã na escola, alguns comportamentos agressivos do filho, outras expressões inadequadas… Mais algumas conversas com pessoas avessas às escolas tradicionais e mais algumas leituras sobre escolas alternativas e desescolarização.

 

Pronto, estava feito o nó na minha cabeça.

 

Depois disso comecei a batalhar para entender se a escola estaria prejudicando o Fe e se naquele momento eu teria alguma opção melhor.

 

Então visitei mais 3 escolas, conversei com muita gente, debati com minha psicóloga e aos poucos fui construindo as respostas.

 

Visitei uma escola Waldorf. Amei o ambiente: pacífico e acolhedor. Porém a escola fica longe da minha casa e não tem ensino fundamental (meu filho aproveitaria no máximo 2 anos). Mas o que de fato me fez descartar essa opção foi a distância que notei em relação a essa pedagogia e o perfil do meu filho. Durante os primeiros 7 anos da criança a Waldorf não estimula o conhecimento racional. Aí veio o conflito. Meu filho é um pequeno cientista, curiosíssimo! Quer saber o que está escrito em cada rótulo ou em cada placa de trânsito que vê. Quer saber por que o vinagre de maçã é azedo sendo que a maçã é doce. Quer saber por que chove. O que é energia elétrica. Cria suas hipóteses, testa, quer respostas, quer entender. Talvez eu esteja errada, mas entendi que o ritmo da Waldorf poderia limitar um pouco essa sede pelo conhecimento racional que vejo no Fe, já que nessa idade eles primam pelo movimento e pela arte. Não quero com tão poucas palavras fazer uma análise negativa dessa linda pedagogia. De jeito nenhum. Só quero dizer que por essa razão que citei e talvez por mais outras que não soube expressar, não senti que esse seria o melhor caminho para nós.

 

Conheci uma outra escola muito bem quista na cidade. Segue o construtivismo. Ambiente externo bacana, interno nem tanto. Rotina de atividades muito semelhante a da escola em que ele já estava. Comparei daqui e comparei de lá e no fim cheguei a conclusão de que não teríamos vantagens na mudança.

 

Visitei uma terceira escola, bem indicada também. Nessa visita entendi que de fato a escolha da escola é algo muito particular da família. Primeira discordância foi em relação ao denso conteúdo das apostilas usados na educação infantil. Muito texto! Pra mim criança deve aprender brincando, de forma lúdica e leve. Mas o pior foi a resposta a típica pergunta que faço ao conhecer uma escola: “como vocês agem quando uma criança apresenta um comportamento inadequado, por exemplo, morder um coleguinha?” A resposta da coordenadora foi: “primeiro conversamos com a criança, se ela repete o mau comportamento, nós tiramos dela 10 minutos de parque ou da aula de educação física, lógico que não tiramos a aula toda, por que afinal a mãe está pagando por isso.” Oi? Ah, nem debati. Escola descartadíssima, praticam claramente a Disciplina Punitiva. Para quem acredita e busca praticar a Disciplina Positiva, simplesmente não dá, né?

 

Quem me ajudou a organizar minhas ideias e aflições foi minha psicóloga. Ela me abriu os olhos e me fez enxergar como eu estava fantasiando certas coisas. Na minha busca por entender e querer resolver um momento mais agressivo do filho, de desconexão comigo, eu acabei literalmente jogando toda a culpa na escola. Esqueci de que meu filho vive no mundo, sofre muito a minha influência (e diga-se de passagem, eu não estava atravessando uma fase boa), sofre influência do pai, do restante da família, da TV (ainda que eu tente minimizar), dos livros, de todas as pessoas com quem tem contato e o principal: tem a sua essência, a sua personalidade. Estou entendendo e aprendendo a aceita-lo como ele é, obviamente não deixando de colocar os limites necessários.

 

Também intensifiquei o diálogo com a escola dele. Confesso que eu estava me entregando as minhas fantasias sem verificar in loco o que estava de fato acontecendo. Fui muito bem acolhida e respondia nesse movimento.

 

Ouvi meu filho. Perguntei a ele diversas vezes se ele desejava mudar de escola. Todas as respostas negativas.

 

Acabei esse caminho com a decisão de não mudar. Parece que eu dei uma volta enorme e cheguei ao mesmo lugar. Mas não. Eu reafirmei a minha escolha, embasei, enriqueci e o principal: tornei a minha escolha em nossa escolha. Olhei muito mais para meu filho nesse processo.

 

Por enquanto essa busca pára por aqui. Mas estou pronta para recomeça-la à qualquer sinal de insatisfação ou incompatibilidade que apareça no futuro.

 

E você, já experimentou dessas dúvidas? Conseguiu respostas? Me conte!

 

Buscando uma rede de apoio

Quem nunca ouviu aquele ditado que diz que é necessário toda uma aldeia para se criar uma criança?! Sabemos que uma rede de apoio que incluem parentes, amigos, creches/ escolas, babás e outros profissionais podem ajudar bastante a vida de uma mãe e de seus filhos pequenos.
Mas e quando toda essa estrutura não está ao nosso alcance ou quando ela não condiz nossos ideais de maternagem? Os motivos são diversos, morar longe da família, família que não concorda com o estilo de criação, desejo de não colocar o bebê tão pequeno na creche, falta de condições financeiras de contratar ajuda ou simplesmente preferência por fazer tudo sozinha.
Mas, e ai?! É possível se virar sozinha?! Não sei como é pra você. Mas pra mim parece ser bastante difícil. Por isso sigo buscando minha rede de apoio.
Família. Desde que constitui minha própria família nunca mais morei perto da minha família original. Vejo que isso é cada vez mais comum hoje em dia. Em busca de realização profissional ou de outros objetivos de vida ganhamos asas e voamos. Mesmo nessa situação de distância física, minha mãe sempre se esforçou muito para estar presente. E esteve comigo nos momentos mais difíceis sim, já me ajudou muito, mas não é aquela mãe que mora logo ali, do outro lado da rua. Sei que pra muita gente o que pesa não é a distância física, mas sim a diferença no estilo de criação, nas crenças… O distanciamento da forma de pensamento as vezes pode ser ainda mais difícil de ser superado. De qualquer forma, se é possível para você contar com esse apoio, poxa, que bom! Aproveite.
Essa é minha mãe com meus filhos, participando e compondo minha rede apoio.
Essa é minha mãe com meus filhos, participando e compondo minha rede apoio.
Profissionais domésticos. Sempre que possível é muito bem vindo. Se é possível para você, vale a pena tentar. Desde que me tornei mãe já morei em 3 cidades diferentes. Nesses 4 anos de maternidade já devem ter passado mais de 20 profissionais do lar pela minha casa. Sinceramente, já perdi as contas. Foram diaristas e empregadas domésticas mensalistas. Até hoje sem experiência com babá. Em muitos momentos tive a sensação de que talvez fosse melhor fazer tudo sozinha. Serviço mal feito, um pequeno furto, sensação de invasão de privacidade, dinheiro curto, discussões… Até que hoje aprendi a relevar muita coisa e entender que cada serviço que minha ajudante consegue fazer, é um a menos pra mim. Se ela for simpática está bom. Se começar complicar, troco. Sem trauma, sem sofrimento (isso hoje, em outros tempos já sofri muito com isso).
As vezes o que precisamos é simplesmente desabafar algumas angústias com uma amiga que nos compreenda… Porém quando nos tornamos mães as amigas de antes podem não estar na mesma sintonia e pode ficar bem difícil rolar aquela empatia pelas angústias maternas. Nesse contexto as redes sociais podem ser bem úteis para nos conectar à mulheres que estão vivendo momento semelhante. Através de grupos de discussão sobre maternidade do Facebook encontrei mães da minha região e algumas amizades virtuais já conseguiram passar pra vida real. Podemos ainda nos reaproximar de velhas conhecidas vivendo o mesmo momento. Isso tem me feito muito bem. Me faz ver que não estou sozinha em sentimentos conflituosos ou em dúvidas do dia-a-dia materno. Apoio mútuo é muito bacana.
Grupos de apoio à maternidade. Como não descobri isso antes?! Pois é, parece óbvio e corriqueiro pra você? Ou você também não imaginava que eles existem? Sim… eles existem em muitas cidades. Uma busca no Google ou no Facebook pode lhe render muitas descobertas. Normalmente são grupos que dão apoio as mulheres desde a gestação, passando pelo parto, puerpério e a maternidade em si. Rodas de conversa, oficinas, cursos, consultoria e amizades. Mais alguns fios pra formar sua rede.
Apoio psicológico. Quem nunca pensou em busca-lo? Eu já havia pensado muitas vezes, mas vinha sobrevivendo sem até que recentemente me rendi e estou bem satisfeita. Sabe aquela angústia que parece não ter resposta, não ter fim… Com o apoio de uma excelente psicóloga tenho conseguido encontrar muitas respostas aqui dentro de mim.
Escola ou creche. Cada vez mais comum e aceito como uma fonte de apoio para as mães que precisam trabalhar ou mesmo ter umas horinhas sem os filhos para cuidar de si, da casa e dos assuntos da família… Porém o momento certo / ideal / desejado para se colocar um bebê ou criança na escola pode trazer infinitas dúvidas. E decidir qual escola, então? Pior ainda! Prometo escrever um post dedicado a esse assunto, contando um pouco da minha experiência nesse assunto. Resumindo, hoje tenho meu filho de 4 anos em uma escola por meio período e a bebê de 9 meses ainda fica só comigo.
O que mais? Como você tem tecido sua rede de apoio? Você tem a sua? Ela está boa? Está fraca? Quais os planos? Conte um pouco sobre sua busca, ficarei feliz em saber!

Buscando palavras

Tenho imaginado diversos posts que eu poderia escrever a respeito de minhas buscas maternas. No entanto estou enfrentando uma enorme dificuldade para escrever o primeiríssimo post.
Estou buscando palavras…
A maternidade por vezes me coloca em um turbilhão de reflexões, dúvidas, pensamentos, anseios e frequentemente é difícil verbalizar tudo isso.
Já sentiram algo assim?!
Nem sempre é fácil da gente se entender, pior ainda é fazer com que os outros nos entendam. De qualquer forma inauguro com esse post reflexivo o meu blog.
Ahhh, há tanto tempo ensaio em ter um blog pra chamar de meu! Está dada a largada. Se você também se sente uma mãe em busca, acredito que poderemos partilhar aqui um pouquinho dessa constante busca em que nos encontramos.